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A Importância de Èsù na Porteira dos Terreiros

Já falamos nesse espaço sobre a importância de jogarmos água à rua, por exemplo quando chegamos na Casa de Candomblé. Na ocasião, explicamos que estamos pedindo licença aos donos da Porteira, em especial à Èsù. Hoje vamos falar um pouco a razão da existência de Èsù na porteira, tendo obviamente, todo o cuidado de não explanar aquilo que não é permitido, o chamado mistério da nossa religião.

Uma história Nago conta que havia um grande sábio, que em razão do seu surpreendente conhecimento era invejado por muitos, até mesmo pala Morte (Iku) e pela Doença (Arun). Ao saber disso, esse grande sábio consultou um Babalorisa, intentando saber o que fazer para afastar um possível mal à sua integridade física. O Deus da Adivinhação, por meio do jogo, disse que ele seria atacado por Arun (a doença) e em seguida por Iku (a morte) e que para conseguir escapar, ele deveria realizar uma oferenda à dois Èsù, colocando um na entrada principal da sua casa e outro na entrada dos fundos. Assim o sábio fez, com o auxílio do Sacerdote.

No dia seguinte, Arun foi à casa do sábio e, ao chegar na porta de entrada, deparou-se com Èsù. Arun disse: “Me dê licença Èsù, pois quero entrar”. Èsù, que havia recebido as oferendas do sábio, disse à Arun que não permitia a sua entrada, que desse meia volta. Arun no entanto, não se deu por contente e tentou entrar pela porta dos fundos, mas lá, o outro Èsù também não deixou Arun entrar. Iku, fez o mesmo que Arun e não conseguiu entrar na casa do sábio. 
Desde aquele dia, Èsù está na porteira dos sábios, evitando que coisas negativas entrem.

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As Águas de Òsàálá, você sabe porque fazemos?

Òsàlá é a grande Divindade do Candomblé, considerado o “Òrìsà dos Altos” (Òrìsà Nlá) é sem sombra de dúvidas, das Divindades que se manifesta, a mais respeitada em todo o Brasil. É considerado o dono do branco e por essa razão é chamado de Òrìsà Funfun. Em suas obrigações, todos os seguidores do Candomblé, sejam iniciados para Òsàlá ou não, se vestem de branco em sinal de respeito e devoção. Ele é o grande detentor de Asè e por isso o chamamos de “Alábáláàsè”.
Òsàlá é festejado numa cerimônia denominada “águas de Òsàlá”. Esse ritual é um dos mais bonitos do Candomblé. Nele, ocorre uma procissão na qual os objetos de adoração à Òsàlá são depositados num local sagrado. Após isso, todos os filhos da casa dormem no salão principal, onde está plantado o Asè da casa. Na aurora do dia seguinte, todos os omo Òrìsà, rigorosamente vestidos de branco, acordam em silêncio para carregarem em procissão, a água retirada da fonte consagrada à Òsàlá e que será utilizada para lavar os objetos sagrados do Deus, constantes no local sagrado.
Mas afinal, porque realizamos essa linda cerimônia chamada de “Águas de Òsàlá”? Abaixo, transcrevemos a história que justifica esse ritual que é realizado no Terreiro de Òsùmàrè.
“Òsálúfon, rei de Ifon, decidira visitar Sàngó, o rei de Òyó, seu amigo. Antes de partir, Òsálúfon consultou um Babaláwo para saber se sua viagem se realizaria em boas condições. O babaláwo respondeu que ele seria vítima de um desastre, não devendo, portanto, realizar a viagem. Òsálúfon, porém, tinha um caráter obstinado e persistiu em seu projeto, perguntando que sacrifícios poderia fazer para melhorar a sua sorte. O babaláwo lhe confirmou que a viagem seria muito penosa, que teria de sofrer numerosos reveses e que, se não quisesse perder a vida, não deveria jamais recusar os serviços que, por acaso, lhe fossem pedidos, nem reclamar das conseqüências que disso resultassem. Deveria, também, levar três roupas brancas para trocar e “Ose dudu” (Sabão da Costa). Òsálúfon se pôs a caminho e, como fosse velho, ia lentamente, apoiado em seu cajado de estanho. Encontrou, logo depois, Èsù Elèpo Pupa (Èsù dono do Azeite de Dendê), sentado à beira da estrada com um barril de azeite de dendê ao seu lado. Após uma troca de saudações, Èsù pediu a Òsálúfon que o ajudasse a colocar o barril sobre a sua cabeça. Òsálúfon concordou e Èsù aproveitou para, durante a operação, derramar, maliciosamente, o conteúdo do barril sobre Òsálúfon, pondo-se a zombar dele. Este não reclamou, seguindo as recomendações do babaláwo; lavou-se no rio próximo, pôs uma roupa nova e deixou a velha como oferenda. Continuou a andar com esforço, e foi vítima, ainda por duas vezes, de tristes aventuras semelhante a primeira, no entanto, com Èsù-Eléèdu (Èsù dono do Carvão) e Èsù Aláàdì (Èsù dono do àdì “óleo da amêndoa do dendezeiro). Òsálúfon, sem perder a paciência, lavou-se e trocou de roupa após cada um das experiências. Chegou, finalmente, à fronteira do reino de Òyó e lá encontrou um cavalo que havia fugido, pertencente a Sàngó. No momento em que Òsálúfon quis amansar o animal, dando-lhe espigas de milho, com a intenção de levá-lo ao seu dono, os servidores de Sàngó, que estavam à procura do animal, chegaram correndo. Pensando que o homem idoso fosse um ladrão, caíram sobre ele com golpes de cacete e jogaram-no na prisão. Sete anos de infelicidade se abateram sobre o reino de Sàngó. A seca comprometia a colheita, as epidemias acabavam com os rebanhos, as mulheres ficavam estéreis. Sàngó, tendo consultado um babaláwo, soube que toda essa desgraça provinha da injusta prisão de um velho homem. Depois de seguidas buscas e muitas perguntas, o prisioneiro foi levado à sua presença e ele reconheceu seu amigo, Òsálúfon. Desesperado pelo que havia acontecido, Sàngó pediu-lhe perdão e deu ordem aos seus súditos para que fossem, todos vestidos de branco e guardando silêncio em sinal de respeito, buscar água três vezes seguidas a fim de lavar Òsálúfon. Em seguida, este voltou a Ifon, passando por Èjìgbó para visitar seu filho Osògiyán, que, feliz por rever seu pai, organizou grandes festas com distribuição de comidas a todos os assistentes.
Assim sendo, pelo dia de hoje, pedimos ao nosso Pai Òsàlá que cubra todos com o seu Alá, trazendo paz, harmonia e felicidade!!!
Que Òsùmàrè Arákà esteja sempre olhando e abençoando todos!!!
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Ilé Òsùmàrè Aràká Asè Ògòdó

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Oficinas Sobre as Tradições Kêtu – Ilé Asìpá

 

 
 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Ilé Asìpá inicia Oficinas sobre as tradições Kêtu neste sábado (11)

  
As oficinas são gratuitas, durante 10 semanas, sempre aos sábados pela manhã, para pessoas de todas as idades, que aprenderão toques de atabaque e instrumentos musicais, mitos e tradições da cultura Kêtu. O projeto tem apoio financeiro da SecultBA/CCPI/Fundo de Cultura, e apoio acadêmico da UNEB.
 
 
O Terreiro Ilé Asìpá, fundado pelo famoso sacerdote afro-brasileiro, escritor e conceituado artista baiano, Mestre Didi (1917-2013), inicia a partir das 9 horas deste sábadodia 11 (janeiro, 2014) a cerimônia de abertura do Projeto ‘Atabaque entre Folhas’. O terreiro fica na Rua Assipá, nº 472, com entrada pela Avenida Orlando Gomes – entre a Orla e a Av. Paralela – em frente ao prédio do Cimatec/Senai.
 
A programação começa às 9h com visita ao terreiro guiada pelo Alabá (cargo máximo) Genaldo Novaes, seguida de apresentação do projetoaula-apresentação e palestra sobre a influência da música nagô na formação cultural brasileira. Ao término, serão servidos quitutes típicos da culinária afrobaiana, que complementa a proposta do conhecimento e da experiência multisensorial que são oferecidos aos alunos do projeto durante as aulas.
 
A iniciativa é gratuita, aberta a qualquer interessado, e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura (SecultBA) e do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), e apoio acadêmico-institucional da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
 
DEZ SEMANAS – O projeto oferece 10 semanas de oficinas, sempre aos sábados pela manhã, quatro horas a cada dia. A participação é gratuita para qualquer interessado em aprender toques de atabaque (tambor sagrado do candomblé), cânticos yorubá, mitos e tradições da cultura Kêtu na Bahia.
 
As ações são coordenadas por mestres alabês, que são os responsáveis pelos toques rituais, conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados em um terreiro de candomblé. Podem participar pessoas de todas as idades – 8 a 80 anos. As inscrições são feitas no local e via e-mail atabaquesentreasfolhas@gmail.com. Informações são fornecidas através do telefone (71) 3117-5377, no Núcleo de Cultura e Artes/Proex da UNEB. As vagas são limitadas a duas turmas com apenas 30 alunos cada.
 
MESTRE DIDI – Deoscóredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, nasceu em Salvador, Bahia (1917-2013), foi sacerdote, artista e escritor. Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, a famosa Mãe Senhora, Mestre Didi descende da tradicional família Asìpá, originária de Oyó e Kêtu, importantes cidades do império Yorubá, na África. Sua trisavó, Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Asé Airá Intile, depois Ilê Iya Nassô, a famosa Casa Branca, considerada um dos primeiros terreiros do Brasil, sendo o primeiro a ser reconhecido pelo Governo Federal, via IPHAN/MinC, como Monumento Cultural do Brasil.
 
Mestre Didi recebeu título de Alapini (sacerdote maior no culto aos Egunguns), Assogbá (sacerdote supremo do culto a Obaluaiyê) no Ilê Axé Opô Afonjá, zelador do culto à Ossayin, Balé de Xangô confirmado pelo Rei de Oyó (1970) e o de Baba Mogbá Oga Oni Xangô pelo Rei de Ketu (1983), ambos na África. Mais informações via telefone (71) 3117-5377. Confira o blog www.monizcomunicacao.blogspot.com, os Facebooks Moniz Comunicação e Ilê Asipá: Atabaques entre as Folhas. Assista ao vídeo do projeto no link http://migre.me/h2nz8.
 
 
Fotos ANEXAS. Crédito Fotográfico obrigatório – Lei nº 9610/98: Ilê Assipá
 
MONIZ COMUNICAÇÃO – em 05.01.2014
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A Tradição Yorubá

A tradição ioruba é, entre as culturas africanas importadas durante o tráfico negreiro, a que os brasileiros melhor compreendem ou, em muitos casos, a única que parecem considerar relevante.

Pierre Verger explica que tal predominância deve-se provavelmente ao fato de que este fora o último povo africano a chegar em massa no Brasil a partir do final do século XVII, mas principalmente após 1830, quando a cidade-estado de Oyo fora destruída pelos exércitos muçulmanos dos fulanis. Trouxeram consigo uma elite de nobres sacerdotes, príncipes e chefes de Estado dispersos em meio à multidão de gente do povo. Na visão de Gisele Cossard, os iorubas ter-se-iam organizado para escapar à escravidão, promovendo assim a expansão de uma casta de negros livres que já existiria anteriormente em menor escala. Apesar de ignorada pelos livros escolares e anais da história oficial, essa classe média de negros e mestiços foi muito atuante. Desenvolveu-se sobretudo em Salvador e, por ocasião dos fluxos migratórios em direção ao sudeste do País (principalmente após a abolição), veio a exercer poderosa influência sobre numerosas populações afro-brasileiras que viviam em situação sócio-econômica muito inferior, em outras cidades brasileiras. Um bom exemplo disso é a força da colônia baiana que se instalou no centro do Rio de Janeiro no final do século passado, onde viveu a legendária Tia Ciata.

Informações históricas sobre as antigas cidades-estado de Ifé e Oyo, que mais tarde seriam consideradas como partes do reino ioruba, estão sendo processadas a partir de escavações. Leo Frobenius encontrou na atual cidade iorubana de Ile-Ifé, entre os anos de 1910 e 1911, esculturas em metal e terracota que teriam sido construídas durante os séculos X e XI. Essas esculturas, conhecidas como “cabeças de Ifé”, trouxeram novos dados sobre a vida e a arte iorubas; contrariando tudo que era até então concebido como arte tipicamente africana, as esculturas possuíam dimensões naturalistas, sendo confeccionadas com uma liga metálica que combina bronze, chumbo e cobre. Talvez por considerá-las elaboradas demais para serem totalmente africanas, Frobenius supôs terem elas alguma conexão com a arte grega, hipótese hoje descartada. Submetendo-se essas vinte cabeças esculpidas à análise de carbono 14, foi possível determinar o apogeu da civilização que floresceu em Ifé entre os séculos XII e XIV, muito embora haja indícios de que, desde o final do primeiro milênio, os iorubas já trocassem manufaturas com os árabes ao norte de seu país.

Já Oyo vivera seu período de expansão a partir do século XIV, chegando a subjugar os povos vizinhos do antigo reino do Daomé, tendo-se mantido livre da presença européia até o começo do século XIX, quando esta foi arrasada e a autonomia ioruba desmantelada. Só então os negros dessa etnia foram maciçamente incluídos entre os escravos de guerra.

Quando os europeus entraram pela primeira vez nas principais cidades iorubas admiraram-se não só com o seu nível de urbanização, mas com a beleza de sua arquitetura e estatuária sagrada. Cada cidade era organizada em torno do culto a uma divindade específica, a qual muitas vezes relacionava-se intimamente com algum poder ou força da natureza, bem como com o passado mítico das dinastias reais, como no caso de Xangô, Oranian e Ogum. No momento da invasão européia, constatou-se que aquele povo já há muito desenvolvia a metalurgia e produzia sofisticadas manufaturas.
A sobrevivência da tradição ioruba no Brasil também exigiu de seus líderes e seguidores a elaboração de estratégias sincréticas de convivência com a religião oficial. Só que, neste caso, o sincretismo não foi tão aprofundado quanto o fora pelos kongoleses, funcionando mais como um disfarce que lhes permitia uma relativa liberdade de ação, no tocante à realização de seus rituais. Esse mecanismo de disfarce fora anteriormente empregado pelos negros gêges, procedente do antigo Daomé (atual Benin) os quais, segundo alguns estudiosos, além de antecederem a presença ioruba no Brasil, também teriam sido pioneiros em diversos atos de grande importância histórica para a diáspora africana em nosso país, incluindo a fundação de casas de candomblé na Bahia.

Confrarias e irmandades de pretos foram instituições sob cuja “proteção” teriam sido organizados os primeiros candomblés baianos. Mas nos terreiros gêge-nagô, enquanto imagens de santos católicos aparecem em partes mais externas do templo, todos os fiéis sabem que o assentamento da energia está mesmo é nas pedras sagradas, que se encontram veladas sob os panos e plantas dos altares, escondidos da curiosidade e do preconceito de olhares alheios.

Ainda que os povos do Kongo e do Daomé tenham chegado ao Brasil antes dos iorubas, a enorme influência desse último grupo em nosso dia-a-dia cultural demonstra que, de um modo ou de outro, a liderança ioruba foi aceita e reforçada pelas demais etnias afro-brasileiras. Ao nosso ver, um dos fatores que contribuíram bastante para isso foi a conservação do idioma ioruba – pois é na língua que se encontra codificada grande parte das informações que constituem a identidade cultural e religiosa de um povo, e os demais idiomas africanos presentes no Brasil já se teriam fragmentado com o tempo.

O domínio dos iorubas no contexto afro-brasileiro deveu-se também ao emprego de uma sábia diplomacia que pode ser observada na organização multicultural dos terreiros. Além de agruparem num único templo divindades antes cultuadas separadamente em diferentes regiões da atual Nigéria, os iorubas incorporaram ao seu panteão Nanã-Obaluaiê-Oxumarê, a tríade de deuses adorados pelos seus ex-arquiinimigos daomeanos, reservando também um discreto espaço para entidades de ascendência kongo-ameríndia; caboclos, pretos-velhos e exus, no mais das vezes agrupados sob o nome genérico de “eguns” (espíritos dos mortos). Entretanto, o idioma africano ensinado e praticado nos terreiros de filiação mais tradicional é o ioruba arcaico, que impressiona pela “pureza” até mesmo os nigerianos de hoje. A hierarquia interna das casas de candomblé e a linha de sucessão por consangüinidade são bastante rígidas, mas, ao mesmo tempo, observamos que entre sacerdotes, fiéis e freqüentadores do candomblé há pessoas de todas as etnias e classes sociais brasileiras. Isso nos leva a crer que, na verdade, a grande diplomacia ioruba foi a de saber combinar uma estrutura altamente tradicionalista e conservadora a uma base social verdadeiramente inter-étnica e multicultural.

Com êxito inegável, os iorubas conseguiram fazer de seus orixás as divindades africanas mais conhecidas no Brasil. Sete deles (Xangô, Iemanjá, Oxóssi, Oxum, Ogum, Iansã e Ibejí) foram incorporados pela umbanda como líderes das sete categorias básicas (falanges) de espíritos concebidas por esta religião. Oxalá, sincretizado com Jesus, é adorado como a entidade mais elevada, numa escala ascendente de evolução espiritual; Nanã e Omulu, de origem gêge, estão presentes em um degrau hierárquico inferior, pois não chefiam nenhuma falange, ligando-se (na maioria das vezes) aos grupos chefiados por Iemanjá e Iansã, respectivamente. No candomblé, os orixás não costumam falar, comunicando-se sobretudo através dos búzios; na umbanda, os orixás comumente não se incorporam nos médiuns, existindo apenas como uma referência arquetípica que indica simbolícamente o tipo de energia (ou vibração) que caracteriza cada falange, ou grupo de espíritos que se harmonizam entre si.

A cosmogonia ioruba compreende uma divisão básica entre céu (Orum/sol/mundo divino) e terra (Aye/mundo dos vivos). Seu deus supremo, Olorum (o senhor do céu) está no mundo de cima; os heróis/deuses civilizadores são quase todos masculinos, embora o patriarcado ioruba seja mitologicamente ameaçado pela fúria de poderosas matriarcas como Nanã e Olokun (que é masculina em Benin e feminina em Ifé). Sua concepção de energia/força sagrada se define pela constituição do Axé, que é relacionado ao número três e às cores vermelho, preto e branco. Conforme a crença ioruba, Olorum, o Ser Supremo, serve-se de auxiliares para criar, manter e transformar o mundo.

Com efeito, a altivez e o orgulho próprio dos iorubas, bem como seu talento para a promoção social de seus valores culturais e religiosos, fizeram deste grupo um exemplo positivo a ser seguido por toda uma multidão de descendentes de africanos, combatendo a depressão causada pelos séculos de opressão escravagista. Todavia, o exagero dessas mesmas qualidades também facilita a manutenção de injustiças históricas contra outras tradições africanas no Brasil. E assim que todas as coisas belas e importantes feitas por negros neste país são sistematicamente atribuídas aos iorubas, que, então, recebem as honras por façanhas cujo crédito, na realidade, não lhes pertence. Nossa intenção ao destacar esse fato é contribuir para que o legado positivo da liderança ioruba seja priorizado, em detrimento de enganos desta natureza que, conquanto velados, continuarão a existir.
Fonte: O fascinante universo da História

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ARTE IFE: UMA HERANÇA SURPREENDENTE E SOFISTICADA DA NIGÉRIA

 

Poucas civilizações na África Subsariana são tão famosas pela sua arte e a sua cultura como a de Ife, antigo reino e terra natal do povo yoruba na Nigéria

Os seus artistas criaram uma obra escultórica única, que se conta entre as esteticamente mais prodigiosas e tecnicamente mais aprimoradas do continente negro.

Técnica e visualmente, as obras de arte da antiga Ife contam-se entre as mais importantes do mundo. Incluem cabeças de tamanho natural e figuras humanas em terracota e bronze, vasos de cobre quase puro – uma façanha que, segundo os peritos, Gregos, Romanos e Chineses nunca conseguiram levar a cabo –, esculturas de quartzo e granito, peças em cobre, pedra e cristal, e também miniaturas de deliciosas representações de animais domésticos e selvagens em terracota e pedra, exemplares dos monumentais menires de granito, expressivas caricaturas de anciãos, figurações de doenças atrozes, monstruosas configurações imaginárias e vívidas figuras de animais.

Trata-se de objectos de grande força visual, complexidade icónica e variedade de formas, que revelam a extraordinária mestria criativa e técnica dos artistas e o gosto dos mecenas e cidadãos de Ife.

A sofisticação alia-se à audácia tecnológica e às notáveis qualidades estéticas e o resultado é uma visão do brilhantismo da civilização Ife, que possibilita a compreensão de preocupações culturais e da profunda importância da arte como testemunho histórico.

Os factores “dinastia” e “divindade” ajudaram a modelar excepcionais obras escultóricas, incomparáveis com outras expressões africanas, recriando, de algum modo, os diferentes âmbitos da cultura Ife, como o político e o religioso. 

Situada no Sudoeste da Nigéria, Ife teve o seu apogeu entre os séculos XII e XV, quando foi a capital da região. Na actualidade, a cidade de Ife continua a ser o coração espiritual dos Yoruba. Aliás, de acordo com uma das múltiplas versões da tradição, esta cidade foi o palco escolhido pelos deuses para descerem e criarem o mundo.

Independentemente das inspirações, o certo é que quando se deram a conhecer as primeiras mostras da actividade Ife, o etnógrafo alemão Leo Frobenius adiantou que a única explicação possível para tal semelhança com o realismo idealista do classicismo grego patente nas figuras era uma eventual colónia grega na mítica Atlântida que tivesse levado a arte clássica às selvas da Nigéria. Os especialistas afirmam que foi a partir do ano 1000 que se desenvolveu verdadeiramente a arte escultórica que deu fama a Ife, elevando-a aos píncaros das artes africanas.

Fonte: O fascinante universo da História

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Império de Gana

 

Império de Gana localizou-se na região Sahelo-sudanesa. O Sahel é uma área entre o deserto do Saara e as florestas tropicais. No século IV, o período em que se formaram os Estados Nacionais, era uma área maior. Os soninquês, por exemplo, habitavam uma área saheliana que hoje já foi tomada pelo deserto. Isso porque, há 10 mil anos, uma parte relativamente pequena de deserto começou a se expandir e tomar as proporções gigantescas que o Saara tem hoje.

A adoção do dromedário permitiu que os berberes se tornassem senhores do deserto no século III. Com este meio de locomoção, o deserto deixou de ser um “mar” que separava, para unir o Mediterrâneo à África. A partir de então, as comunidades ditas “cameleiras” reduziram à obediência ou à servidão, habitantes do oásis e passaram a ter no saque, na proteção das caravanas e no comércio novos meios de aquisição de riquezas. Os povos agrícolas (do Sahel e da savana) receberam os rebanhos dos pastores (do deserto e do Sahel) e, vale lembrar, é nesse encontro de culturas que surge a escravidão. Porque os povos agrícolas estavam acostumados a receberem os berberes com seus rebanhos que necessitavam de pastos nos meses de estio. Então se praticava o comércio, os pastores berberes entregavam cavalos, leite, sal, e recebiam cereais e outros produtos da terra. Só que quando os pastores ficavam tempos demais, raptavam mulheres, profanavam locais sagrados e o resultado desses conflitos eram, muitas vezes, pessoas feitas cativas pelos nômades.

O comércio transaariano foi um fator permissivo do desenvolvimento dos Estados Nacionais e da escravidão, visto que passaram a incorporar o saque às suas atividades econômicas, ou seja, o respeito entre nômades e sedentários já não existia mais, é possível que um desses grupos tenha se imposto como nobreza armada aos sedentários, acelerando o processo de escravidão política e criação de Estados. Mas, segundo Alberto Costa e Silva, é mais provável que pela pressão dos nômades sobre as terras dos agricultores, estes tenham reforçado suas estruturas de poder local para melhor resistir.

O Império de Gana surgiu por volta do século IV como Estado centralizado. As fronteiras ocidentais seguem a linha do rio Senegal; as orientais perto de Tombuctu; embaixo são delimitadas pelo rio Níger e acima pela linha de Tebferilla. Costuma-se dizer que a origem do Império Gana remonta aos soninquês. O soninquê é um povo que habitou o Saara Ocidental antes dessas áreas se desertificarem – antes de Cristo. Ki-Zerbo fala da hipótese descrita no Tarik al Fettach, que Gana teria sido originada por uma dinastia de príncipes brancos e que os soninquês teriam tomado o controle do Império quando de tanto se “cruzarem” uma dinastia puramente negra surgiu. Mas a hipótese é frágil por que fora escrita 12 séculos depois do acontecimento e serve mais do que outra coisa para dar prestígio para as famílias nobres depois da dominação islâmica. A origem com os soninquês é a que parece mais aceitável, pois eles teriam se fortalecido e se fechado para se defender de ataques.

Para tratar da organização política de Gana, é importante frisar alguns conceitos, como o de Estado, o qual, segundo o Dicionário Aurélio, seria um povo que ocupa determinado território, sendo dirigido por um governo próprio – a idéia de Estado estaria ligada à de nação soberana ou divisão territorial. O Império seria um governo com influência dominadora. Império, visto sob a perspectiva romana, estaria associado à expansão territorial. Reino, no Dicionário Aurélio, aparece como uma monarquia. Enquanto Monarquia seria uma forma de governo na qual o poder supremo é exercido por apenas um monarca. 

Por não possuir vontade de se expandir territorialmente, não ter tentado unificar todos os povos dentro de seus domínios, de acordo com a visão romana não podemos considerar Gana um Império. Segundo Alberto Costa e Silva, era um reino por ter um soberano, um sistema monárquico, mas também um Estado, por possuir governo próprio. Havia uma esfera de influências, vários povos próximos à Gana não respondiam diretamente ao rei, mas lhe pagavam tributo. A soberania não era exercida sobre a terra, mas sobre os homens. O monarca não estava interessado em ampliar seu poder pela adição de novos territórios, mas em submeter números crescentes de grupos humanos que lhe pagassem tributo e pudessem fornecer soldados.

Quanto à sucessão ao trono, ela era matrilinear: era o filho da irmã do rei que lhe sucedia. Segundo Ki-Zerbo, o escritor árabe Al Bakri diz que era para assegurar que o sucessor fosse sempre de sangue real, já que seu filho poderia não ser realmente seu filho. Mas Ki-Zerbo também cita Cheik Anta Diop, para dizer que o sistema matrilinear foi prática comum aos povos africanos e ligada ao seu caráter agrícola e sedentário.

Estima-se que na segunda metade do século IX os azenegues tenham conquistado Audagoste, fato de extrema importância para compreender os motivos que levaram Gana ao seu apogeu. Os azenegues figuravam entre os berberes. Dividiam-se em grandes grupos e controlavam rotas comerciais. Enquanto isso, Audagoste era uma pequena cidade, segundo o Costa e Silva, fundada por volta do século sete. Apesar de recente, era um centro agrícola, artesanal e mercantil. Os azenegues conquistaram Audagoste na segunda metade do século nove. O grande chefe azenegue vivia no deserto e ia de vez em quando a Audagoste. Esta e Gana se completavam. Audagoste controlava o comércio de sal e a saída para o deserto e Gana o ouro e as trilhas para a savana e o cerrado. De acordo com Costa e Silva, no início do século XI os soniquês subiram até Audagoste e lá puseram seu rei. Assim, o poderio de Gana atingiu seu apogeu, com seu soberano dispondo de grandes forças militares.

Os arqueiros militares eram em torno de 40 mil durante o apogeu. Usavam arcos pequenos e flechas com bico de ferro. O alcance da arma era curto, mas os arqueiros eram temidos e decisivos nas batalhas. Uso de eqüinos segundo Costa e Silva, Al Bakri diz que os eqüinos de Gana eram pequenos. O desconhecimento da sela, do estribo e do freio reduzia o impacto do cavalo como animal de guerra. Mas não os excluía das batalhas, já que a montaria fornecia certa mobilidade. O cavalo aparecia como sinal de prestígio. É também provável a existência de tropas camaleiras, inclusive o uso do dromedário para a captura de escravos. A infantaria era a força básica do Exército de Gana, sendo mais de 100 mil soldados, a qual demonstra, portanto, a força militar alcançada pelo Império. 

O cavalo, visto que era ligado à pompa do estado, era o transporte do soberano. O gana só montava a cavalo e percorria a cidade, duas vezes entre cada levantar e pôr-do-sol, acompanhado pelos grandes do reino. A comitiva era precedida por tambores e pífaros, sendo os tambores utilizados em rituais ligados à religião e à corte, como mais tarde seria comum em quase todos os desfiles reais por África. Parece certo que havia tambores especiais para cultos religiosos e cerimônias da corte. O gana estava vestido de túnica, assim como o herdeiro presuntivo. O gana e seus escravos, cavalos cerimoniais e cachorros andavam ornamentados com muito ouro. Aos súditos era vedado usar túnicas ou roupas que sofressem costura, apenas podiam usar longos cortes de tecido, quando as posses o permitiam. Ao verem o gana, jogavam areia sobre suas cabeças. Os muçulmanos aplaudiam o rei. 

Quando morria o gana, erguia-se uma grande cabana de madeira para acolher seu corpo. Ali se colocavam suas vestes, suas armas, os objetos que usara para comer e beber, e comida e bebidas. Conduziam-se para dentro do que seria o túmulo os criados que tinham servido ao rei. Ki-Zerbo diz que isso era para prevenir que não ocorreriam envenenamentos. Vedava-se a porta. O povo jogava terra sobre a cabana, até que houvesse uma espécie de colina. Ao redor, cavava-se um fosso. Ao morto, eram oferecidos sacrifícios humanos e bebidas fermentadas.

O ouro era taxado em forma de tributos ao gana, para manter sua numerosa corte. O minério refinado era para o rei, já o ouro em pó era de quem encontrasse. A obtenção de ouro é um processo curioso. Passadas as cheias, cavavam-se poços quadrados, de uns 75m de lado, que raramente iam abaixo dos 20m. À medida que os poços desciam, suas paredes iam sendo reforçadas por vigas de madeira e nos lados uma grade de varas que servia também de escada por onde baixavam os mineiros. Cavavam-se túneis horizontais e mandavam em cabaças o minério para a superfície e este era catado pelas mulheres ao entardecer. São hipóteses levantadas de como se extrai atualmente. 

O ouro viria ali ter não só de Bambuk e Buré, mas também de Lobi. E. Jenné poderia já ser então seu importante entreposto. Há uma hipótese mais simples: situando-se Bambuk dentro da forquilha formada pela confluência do Falemé com o Senegal, teria sido confundido com uma ilha. O sal, artigo raro, era permutado muitas vezes por igual peso de ouro, ou mesmo o dobro. As principais rotas utilizadas para o entreposto de sal e outras mercadorias do Magreb pelos lingotes de ouro eram: Gana a Sijilmessa, Tafaza, Audagoste e Tagante(azenegues). De Gana a Sijilmessa se atravessava durante dois meses desertos absolutos, pelos quais se podia marchar 14 dias sem encontrar água. A de maior fortuna teria sido a que passava por Tagaza, um centro onde se trocavam as mercadorias do Magreb pelo sal que se ia vender no Sudão. Já no Audagoste e no Tagante, as rotas eram controladas pelos azenegues, que se haviam convertido a um maometismo exigente e militante.

Os zanatas controlavam o comércio na cidade de Sijilmessa e também alguns entrepostos em Audagoste. Com o desejo de também ter por seu domínio estes entrepostoso, os Almorávidas se lançam cada vez mais ao sul do Marrocos e passam a ter um controle mais eficiente nos comerciantes zanatas de Audagoste.

Com o impasse que se seguia entre os azenegues do deserto, Abubacar se retira do Marrrocos e deixa no seu lugar Yusufe Ibne Tashfin, que era seu primo, e também sua mulher Zoinabe, de quem se divorcia. Passada a ruputura que afluía no deserto, Abubacar volta ao Marrocos, porém seu primo não lhe devolve o poder em partes.
Paralelo ao desmembramento em duas “facções”, a do norte e a do sul, ambas cada vez mais buscavam expandir seus domínios, o que acarretará mais adiante na morte de Abubacar em 1070, em uma homogênea ocupação Almorávida do ebro ao Sael, sob o comando de Yusufe.

As “tribos” azenegues estavam cada vez mais inerentes ao domínio almorávida que se concentrava no Marrocos. Desta maneira, o declínio começava a se assentar nas várias tribos azenegues que passaram a oferecer ataques repentinos aos “grandes senhores Almorávidas”.

Os almorávidas deixaram grande contribuição para a islamização de grande parte das populações do norte do Sudão Ocidental, sobretudo os soninquês que iriam se transformar em fervorosos catequistas, além de um rompimento com o equilíbrio entre a agricultura e a pecuária existentes no Sael, substituindo terras que eram cuidadosamente lavradas por campos de pastoreio e a conversão pelos azenegues a seu modo de vida de alguns núcleos que abandonaram a lavoura pela criação de gado e aderiram ao nomadismo. Com os rebanhos numerosos, cedo desertificaram o que então era o Sael e saelizaram o que então era savana. Certos reis e nobres sudaneses começaram a usar até mesmo o véu sobre o rosto, o litham.

Em 1203 ou 1204, os Sossos tomaram militarmente Gana e muitos mercadores soninquês emigraram para outras terras, especialmente para um lugarejos que crescerá com o nome de Ualata e se transformará no mais importante porto caravaneiro do Sudão 

Fonte: O fascinante universo da História

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Os Ibos

 

Os igbos (pronúncia ibos) são um dos maiores grupos étnicos africanos. Habitam do leste, sul e do sudeste da Nigéria, além de Camarões e da Guiné Equatorial. 

A maioria da população Ibo está concentrada na Nigéria, dominando parte do sul e o oeste desta com cerca de 25 milhões de pessoas. Encontram-se também em Camarões, Guiné Equatorial (Ilha de Fernando Po), Gana, Serra Leoa, Costa do Marfim, Gabão, Libéria e Senegal e atualmente milhares nos USA.

História

A tradição oral mais antiga afirma que sua presença, no que é chamada de Terra dos Igbo, decorre de mais de 1500 anos.

As Cidades Soberanas dos Igbo

Muitas culturas da Nigéria não se transformaram em monarquias centralizadas. Dessas, os Igbos são provavelmente os mais notáveis devido ao tamanho do seu território e à densidade da sua população. As sociedades Igbo eram organizadas em aldeias auto-suficientes, ou federações de comunidades de aldeias, com uma sociedade de anciões e associações de grupos da mesma faixa etária que desempenhavam várias funções governamentais.

Em 1967, apoiados pela multinacional francesa Elf-Aquitaine, declaram independência da região leste da Nigéria, formando a República de Biafra. Houve fome generalizada na região, guerra civil, o que acabou levando à derrota do ibos.

Guerra de Biafra

A Nigéria se tornou independente em 1960, foi formada pela reunião do povo ibo com o povo hausa. Os ibos eram provenientes da província de Biafra, a leste do país, e formavam a elite da Nigéria. De uma forma geral eram os que tinham os melhores empregos e os melhores salários. Num golpe de Estado, em 1966, um grupo de oficiais do exército da etnia ibo tomou o poder. No entanto, em um contragolpe, o novo governo foi derrubado e os ibos passaram a ser caçados e massacrados no país inteiro.

Os que conseguiram escapar fugiram para a sua província de origem e se declararam independentes. A província de Biafra era muito rica em petróleo. Por esse motivo, o governo não iria aceitar sua separação, tendo em vista que era a região mais rica do país. Fator que resultou numa guerra civil que teve início em 1967, e fim em 1970.

Morreram, aproximadamente, um milhão de pessoas, em sua maioria ibos. Biafra se rendeu e foi anexada novamente ao território da Nigéria.

Cultura

Homens vestindo a moderna Isiagu como tradicional chapéu Igbo masculino.
A cultura Igbo são os costumes, práticas e tradições dos Igbos do Sudeste da Nigéria. É composta por práticas arcaica, bem como novos conceitos adicionados na cultura Igbo, quer pela evolução ou por influência externa. Estes costumes e tradições do povo Igbo incluem as artes visuais, música e formas de dança, bem como as suas vestimentas, culinária e idioma dialetos. Devido às suas diversas subgrupos, a diversidade de sua cultura é ainda mais aumentada.

Arte

Há obras em bronze, madeira, esculturas em marfim, cerâmica, as obras de ferro e muitas outras podem ser encontradas em galerias populares e museus ao redor do mundo. As demais são obras em prata e couro, tecelagem de tecidos e cabaças trabalhadas e enfeitadas.

Vaso feito em bronze.

Face feita em bronze.
Destacam-se os trabalhos decorativos de bronze de Igbo-Ukwu (séculos IX e X).

Música

Udu, um instrumento Igbo.
O povo Igbo têm um estilo musical melódico e sinfônico, em que se incorporam vários instrumentos de percussão: o udu, que é essencialmente concebido em um recipiente de argila; uma ekwe, que é formadom da escavação em madeira; e o ogene, um sino da mão projetado de ferro forjado. Outros instrumentos incluem opi, um instrumento de sopro semelhante a flauta, igba, e ichaka.

Outra forma musical popular entre os Igbo é o Highlife, que é uma fusão de jazz e música tradicional e muito popular na África Ocidental. O moderno Highlife Igbo é visto na obra de Dr. Sir Warrior, Oliver De Coque, Bright Chimezie, e Chief Osita Osadebe, quem são os alguns dos maiores músicos Igbo Highlife do século XX. Existem também outros notáveis artistas do extrato Igbo Highlife, como o Mike Ejeagha, Paulson Kalu, Ali Chukwuma, Ozoemena NWA Nsugbe.

Língua 

O igbo (em igbo: Asụsụ Igbo) é uma língua falada na Nigéria por cerca de 20-25 milhões de pessoas, os igbos, especialmente na região sudeste, anteriormente conhecida como Biafra e em partes da região sul-sudeste da Nigéria. A língua foi usada por John Goldsmith as an como exemplo para justificar o desvio do modelo clássico linear de fonología tal como era dito no The Sound Pattern of English. É escrita em alfabeto latino. O alfabeto Nsibidi é usado pela sociedade ekpe. O igbo é uma língua tonal, como o ioruba ou o chinês. Existem centenas de dialetos diferentes e línguas Igbóides incluídas na língua igba, tais como os dialetos ikwerre enuane e o ekpeye.

Dialetos

O igbo se divide em vários dialetos, a maioria mutuamente inteligíveis entre si, são eles; bende, owerri, ngwa, umuahia, nnewi, onitsha, awka, abriba, arochukwu, nsukka, mbaise, abba, ohafia, agbor, wawa okigwe e ukwa/ndoki. O alto grau de semelhança entre estes dialetos faz com que formem uma continuidade dialectal.

Fonte: O fascinante universo da História

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Os Gurunsi

 Os Gurunsi são um conjunto de grupos étnicos que habitam o Norte de Gana e o sul de Burkina Faso.

História Pré-colonial e Origens

As tradições orais dos Gurunsis consideram que eles se originaram do Sudão ocidental perto do Lago Chade. Embora seja desconhecido quando a migração ocorreu, acredita-se que os Gurunsis estiveram presentes em sua atual localização em 1100 AD. Depois do 15° século, quando os estados Mossi foram estabelecidos ao norte, muitas vezes os cavaleiros Mossi invadiram áreas de escravos Gurunsi, mas os povos Gurunsis nunca foram totalmente subjugados, mantendo-se independentes. Segundo o doutor Salif Titamba Lankoande, em Noms de famille (Patronymes) au Burkina Faso, o nome Gurunsi vem da Língua djerma do Níger da palavra “Guru-si”, o que significa “ferro não penetra”. Diz-se que durante as invasões Djerma das terras Gurunsi, em fins do século 19, um líder Djerma com o nome de Babatu recrutou um batalhão de homens indígenas para o seu exército, que depois de ter consumido medicamentos tradicionais, ficaram invulneráveis a ferro.

Partilha

A Conferência de Berlin em 1884, que fez a partilha do continente africano (Partilha de África) entre as colônias européias, viu o francês, o britânico e o alemão reclamando cada parte ou todo do território Gurunsi. Após estabelecer os protetorados de Yatenga (1895) e Ouagadougou (1896), o francês anexou as terras Gurunsi em 1897. Conseqüentemente os Alemães retiraram-se para Togolândia (Gana e Togo moderna), e um acordo anglo-francês em 1898 foi criada oficialmente a fronteira com a Costa do Ouro (atual Gana). Essa partilha dividiu o povo Gurunsi entre sistemas administrativos Francês e britânico, facilitando a divergência política e cultural dos sub-grupos de cada lado da fronteira.

Subgrupos

Existem numerosos sub-grupos étnicos entre os Gurunsi, tais como o Frafra, Kusasi, e Talensi em Gana; e os Bwa, Ko, Lele, Nuni, e Sissala em Burkina Faso. Os sub-grupos Kassena e Nankani habitam os dois países. Embora nem caracterizado por uma linguagem comum nem por instituições políticas comuns, as práticas sociais, econômicas, e religiosas desses sub-grupos são suficientemente semelhantes para que eles constituam uma unidade cultural distinta.

Fonte: O fascinante universo da História

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Os Hauçás

Os hauçás, haussás ou haúças, também conhecidos pela grafia inglesa hausa, são um povo do Sahel africano ocidental que se encontra principalmente no norte da Nigéria e no sudeste do Níger. 

Também há populações significativas em áreas do Sudão, Camarões, Gana, Costa do Marfim e Chade, ademais de pequenos grupos espalhados pela África ocidental e na rota tradicional do Haje muçulmano, através do Saara e do Sahel. Muitos hausas mudaram-se para cidades maiores e mais próximas do litoral, como Lagos, Acra, Kumasi e Cotonou, bem como para países como a Líbia, à procura de empregos com salários pagos em espécie. Todavia, a maioria dos hausas continuam a viver em pequenos vilarejos, onde praticam a agricultura e a pecuária, incluindo gado. Falam a língua hausa, do grupo lingüístico tchadiano da família afro-asiática.

História e cultura

Kano, na Nigéria é considerada o centro comercial e cultural dos hauçás. Em termos de relações culturais com outros povos da África Ocidental, os Hausas são culturalmente e historicamente próximos dos fulas, songhai, mandês e tuaregues bem como outros grupos afro-asiáticos e Nilo-saariano ainda no Oriente Chade e Sudão. A lei islâmica (charia_ é de forma livre a lei da terra e é entendida o tempo todo por qualquer praticante do islamismo, conhecidas no hauçá como um Mallam (ver Maulana).

Os povos hauçás entre 500 e 700 d.C., que tinham sido movidos lentamente para o oeste da Núbia e misturou-se com a populações locais do Norte e Centro da Nigéria, estabeleceram uma série de fortes estados e que é agora do Norte e Centro da Nigéria e Leste do Níger. Com o declínio de Nok e Sokoto, que tinham controladas anteriormente as regiões central e norte da Nigéria, entre 800 a.C. e 200 a.C, os hauçás foram capazes de emergir como um novo poder na região. Intimamente ligados com o povo kanuri do Kanem-Bornu (Lago Chade), a aristocracia hauçá adotou o Islão no século XI.

Os hauçás são muçulmanos, embora no passado adotassem práticas animistas, que ainda são encontradas em partes mais remotas. Têm sido um fator importante da disseminação do islamismo na África ocidental, por meio de contatos econômicos, de comunidades comerciais da diáspora hauçá e da política.

Fonte: O fascinante universo da história